sábado, 24 de maio de 2014

Propriedade rural dos imigrantes italianos em Guaporé

Interior – Belezas Naturais e Arquitetônicas.

As propriedades rurais em nosso interior nos revelam belezas indescritíveis, tanto naturais como arquitetônicas. Ao chegarem por estas terras, a partir de 1875 em diante, os primeiros imigrantes italianos foram dando formas aos lotes coloniais recebidos do Governo do Estado, transformando a paisagem rude de outrora em belas propriedades, dispostas e organizadas de acordo com os padrões trazidos da pátria mãe, mas com algumas adaptações para atender as necessidades específicas de clima e geografia aqui encontradas.

Em 2011 visitamos uma dessas propriedades e fizemos belos registros do pouco que ainda resta em nosso interior dessas magníficas obras de nossos antepassados. Em cada foto, em cada detalhe, percebe-se o quanto de trabalho e dedicação foi preciso para vencer as adversidades de um tempo difícil e repleto de desafios.

Desafios vencidos com o suor do trabalho, com muita Fé e a união da família. Um exemplo que ainda hoje se faz ecoar por entre vales e montanhas, talvez suplicando que não deixemos morrer um legado tão grande e valioso de realizações e manifestações culturais.

Obs: Na época da visita, a propriedade estava praticamente desativada, restando apenas um único morador no local.


Breve resumo sobre a formação das propriedades rurais.


Os colonos construíam suas casas próximo da localização da água, não levando em consideração apenas o elemento vizinhança. Em geral, os colonos não ficavam demasiadamente separados como era dito, pois os lotes coloniais possuíam em média 350.000 metros quadrados e uma frente de aproximadamente 200 metros corridos, em direção ao “Picadão Geral”, onde lhes eram inicialmente construídas as casas pelo Governo.

Para agilizar e controlar a ocupação das terras devolutas, o governo criou uma Repartição Geral das Terras Públicas. Desta forma, o estabelecimento de novos núcleos coloniais era de responsabilidade da Inspetoria Especial de Terras e Colonização, onde através de suas secções, tratavam das questões referentes à terra, ao atendimento e ao destino dos colonos europeus. Essa Inspetoria era representada pela Diretoria da Colônia, sendo subordinada ao Presidente da Província.

Portanto, as colônias agrícolas do Nordeste do Rio Grande do Sul foram no início divididas em léguas quadradas, linhas e travessões. Nem todas as léguas possuíam o mesmo número de travessões, dependendo dos acidentes do terreno, visto que as divisões eram feitas de forma geral sobre os mapas, não respeitando os acidentes geográficos de grande relevo. Esse sistema foi parcialmente alterado, sendo os travessões substituídos por linhas numeradas, e as léguas, substituídas por secções. O número médio de lotes em cada légua era de 132, enquanto o de travessões era de 32. Desta maneira, os limites de cada colônia eram demarcados pelos travessões que significavam a divisão territorial entre as diversas localidades.

Segundo Thales de Azevedo "os travessões constituíam o polo imediato de convergência e de coordenação da vila nos lotes, a unidade de referência para indicar a localização e as distâncias das colônias e o grupo primário de integração étnica e familiar".

Os colonos, quando chegavam à colônia, podiam escolher livremente o lote de sua preferência, pagando à vista o preço fixado segundo o regulamento da colônia. "O preço da braça quadrada nos lotes rústicos variava de 2 a 8 réis e de 10 a 80 réis para os lotes urbanos, devendo, depois de aprovado pelo Presidente da Província, ser igualmente indicado na planta da colônia.". Para os que comprassem a prazo se adicionaria o valor de 20% e o pagamento deveria ser feito em cinco prestações iguais a partir do segundo ano estabelecido. Aqueles que finalizassem seus débitos, antes do prazo final estabelecido, abatiam o valor de 6%. Os colonos que compravam terras a prazo recebiam títulos provisórios ou de designação de lotes e o título fosse quitado com a Fazenda Nacional e assinado pelo Presidente da Província.

Esses títulos continham a exata descrição das confrontações do lote, as distâncias e os rumos das linhas divisórias, a superfície quadrada e os nomes das áreas confrontantes, as condições e o ônus. Se o colono não se estabelecesse no lote com a morada habitual, e cultura efetiva, no prazo de dois anos perderia o direito ao mesmo lote que poderia ser vendido em hasta pública.

Os imigrantes no início da Colônia prestavam serviços na abertura de estradas, na construção de barracões, na abertura de picadas, em troca de somas que eram investidas em terras. Era uma forma de trabalho assalariado que lhes permitia ganhar em dinheiro para pagar as dívidas existentes.

A dívida dos colonos para com a Colônia era relevante devido às dificuldades iniciais enfrentadas que não permitiram que a saldassem nos primeiros anos. A Comissão liquidadora da dívida colonial, que era subordinada à Comissão de Terras, atuou, até 1894, com a finalidade de saldar a dívida feita pelos colonos. Em 1906, essa comissão foi extinta.

Quanto ao registro das terras, no início da colonização, eram os vigários de cada uma das freguesias do Império os encarregados de receber as declarações para os registros das terras. Cabia ao vigário instruir seus fregueses da obrigação de registrar a terra, dentro do prazo estabelecido e as penas que incorressem se não o fizessem, dando-lhes todas as explicações necessárias para o cumprimento da referida obrigação. Essas instruções deveriam ser transmitidas pelos vigários nas missas e publicadas por todos os meios que parecessem necessários. Os vigários deveriam anotar esses registros em um livro, aberto por eles, numerado, rubricado e encerrado nos quais escreviam textualmente as declarações que lhe eram apresentadas e cobravam do declarante dois réis por letra.

Na coleta de dados, a paróquia é um dos locais onde se encontra o livro de registro de batizados, casamentos e óbitos, sendo que todos esses dados constam a procedência, filiação, função dos pais, residência, etc. Antes, na fase de colônia, cabia ao Chefe da Colônia como tarefa da Inspetoria Especial de Terras. Esses fatos nos mostram que a autoridade religiosa possuía uma série de poderes jurídicos frente aos colonos que dependiam em várias instâncias dessas autoridades, reforçando o papel da Igreja na organização das colônias.

Autoria: Vania Herédia
Doutora em História das Américas - Universidade de Genova, Itália.
Departamento de Sociologia da Universidade de Caxias do Sul, Brasil.

Adaptação: Caminhos de Guaporé - fevereiro de 2014.












Filme O Quatrilho


     Filme: O Quatrilho 

Em 1910, numa comunidade rural no Rio Grande do Sul habitada por imigrantes italianos, dois casais muito amigos se unem sob o teto de uma mesma casa. O tempo faz com que a esposa de um marido se interesse pelo marido da outra. Ambos decidem fugir e recomeçar nova vida, deixando para trás seus parceiros.
Através desta obra os alunos irão fazem uma análise crítica, poderá ser feita em grupo, onde primeiramente discutirão sobre o filme, depois apresentarão em formato escrito aos demais colegas.
O Quatrilho foi o segundo filme brasileiro indicado ao Oscar. O enredo do filme é baseado em uma história real. Boa parte do filme foi gravada no município de Farroupilha, na cascata do Salto ventos.
O fotógrafo que tira uma foto da família, no final do filme, é José Clemente Pozenato, autor do livro no qual o roteiro de O Quatrilho foi baseado.Alguns membros da família do diretor aparecem em pequenos papéis, inclusive ele mesmo, como o personagem "Gaudério".Uma das locações do filme ocorreu no Caminhos de Pedra utilizando-se de uma casa de pedra, típica da região.

http://www.caminhosdepedra.org.br/pt/

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Canção dos Imigrantes Italianos

Canção dos Imigrantes cantada em dialeto vêneto, de autor anônimo, sobre a aventura da América



Da l'Itália noi siamo partiti,
Siamo partiti c´o i nostri onori
Trienta e sei giorni de machina a vapore
E nela Mèrica noi siamo arrivà.

Nela Mèrica noi siamo arrivati,
No abiam trovato n´è pàglia, n´e fieno
Abiam dormisto su´l nudo terreno,
Come le bestie abiam riposà.

E la Mèrica, l´è lunga e l´è larga
L´è circondata de monti e de piani
E co´la industria dei nostri italiani
Abiam fondato paesi e cità.

Mèrica, Mèrica, Mèrica,                                                            
Cosa serála sta Mérica ?
Mèrica, Mèrica, Mèrica,
L´è un bei massolino de fior.

Tradução
Da Itália nós partimos/ Partimos com a nossa honra/ Trinta e seis dias de trem e vapor/ E na América nós somos chegados / Na América nós chegamos/ Não encontramos nem palha, nem feno/ Dormimos no solo nu/ Como animals repousamos// Mas a América é grande e é larga/É formada de montes e planícies/ E com talento de nossos italianos/ Fundamos vilas e cidades// América, América, América/ 0 que será esta América?/América, América, América/ Um belo ramalhete de flores.

Fonte : História Ilustrada do Rio Grande do Sul - Zero Hora

Guaporé e os Imigrantes Italianos

                               Guaporé:
A preservação da memória italiana em meio a ricas belezas naturais.



A presença da cultura italiana é marcante em Guaporé, localizado a 199 Km de Porto Alegre, na região Nordeste do Rio Grande do Sul. A chegada ao local, dos primeiros imigrantes italianos, vindos do Norte da Itália, em 1892, deu início à criação do município.
Originado de um povoado chamado Varzinha, Guaporé foi fundado, oficialmente, em 11 de dezembro de 1903. Coma chegada dos imigrantes, a área foi totalmente loteada e passou a se chamar Colônia de Guaporé. Foi tal o aumento da população e o progresso em todos os setores que, em 1898 a Colônia foi elevada à condição de Capela Curada e, em 1904, já estava instalado o novo município. A origem do nome Guaporé é indígena - significa "Vale Deserto", e partiu dos seus primeiros habitantes, os índios do grupo Gê, da Nação Ibia ou Kaigang.
Guaporé possui, atualmente, em torno de 21 mil habitantes. Cerca de 65% dos seus moradores residem na área urbana, e grande parte trabalha nas mais de noventa fábricas de jóias e semi-jóias e de sessenta de lingerie, instaladas no município. Daí vem o título ao município de Pólo Gaúcho da Jóia e Lingerie.

Atrações turísticas

Entre os atrativos culturais de Guaporé, o Museu Municipal é um dos mais importantes, no que se refere ao registro da história da colonização italiana no município. O acervo que compõe a instituição enfoca o desenvolvimento da indústria de jóias na cidade, a partir da chegada dos imigrantes vindos da Itália. Localizado no centro da cidade, o Museu pode ser visitado de terça a sexta, das 8h30min às 11h30min, e das 13h30min às 17h. Aos sábados e domingos, a visitação é feita somente com agendamento. Informações podem ser obtidas no telefone (54) 443-4880.


A Igreja Matriz Santo Antônio foi construída em estilo gótico, no ano de 1947. É considerada uma das mais belas igrejas do Rio Grande do Sul. Nela, estão expostos os painéis pintados pelo arquiteto guaporense Emilio Zanon. O prédio, após ser parcialmente destruído por um incêndio em 1998, passou por reformas, sendo reinaugurado um ano depois, em 13 de junho de 1999, no dia de Santo Antonio, Padroeiro do município.
Outra atração a ser visitada é o Moinho Ortolan, localizado na Linha Colombo, construído no ano de 1887. O seu primeiro proprietário foi Lucchi Luighi (1884) e desde 1950 passou a pertencer a Sérgio Elias Ortolan.
O monumento ao Cristo Redentor é um dos locais mais visitados de Guaporé.  Situado na montanha mais alta do município, a 741m, o monumento tem 13m de altura, sobre um pedestal de 7m. Do topo do morro se tem uma ampla vista da cidade e é onde se realiza a Via Sacra do Morro, na Sexta-feira Santa, evento que reúne milhares de pessoas.
Os capitéis de Santa. Lúcia - construído em anos de 1930, localizado na Av. Silvio Sanson, ao lado do Estádio Juventude - e de Nossa Sra. Perpétuo Socorro - construído em 1972 por Dorual Lunardil, localizado na linha Britola - também compõem o rol de atrações culturais no município.
Guaporé é nacionalmente conhecido como sede do Autódromo Internacional de Guaporé. Sua pista foi inaugurada em 1969, com 3.080m de extensão. É considerado pela crítica esportiva como o autódromo mais seguro do País.


Belezas naturais

No roteiro turístico paisagístico, destacam-se as trilhas do Taquara – com 2 km que passam por dentro do Rio Taquara, chegando até o Salto do Taquara, com aproximadamente 70m de altura -,  do Viaduto Mula Preta, na divisa de Guaporé e Dois Lajeados, cuja altura é de 98m.
A Queda do Bíscaro está localizada em propriedade particular, a aproximadamente 5km do trevo principal da cidade. O acesso é por chão batido e deve-se passar por uma trilha ecológica para se chegar à queda d’água.
O Rio Carreiro é propício para a prática de rafting. Ele é um afluente da margem direita do Rio Taquari que nasce em Coxilha Grande, no município vizinho de Lagoa Vermelha. Bastante sinuoso, faz 70km de percurso em território guaporense.

A Gruta do Seminário Nossa Sra. de Lourdes, também conhecida como "Gruta dos Padres", está localizada nas terras do Seminário São Carlos, fundado em 1937, no Vale do Carreiro. A sua profundidade ainda é desconhecida, já que ela não foi totalmente explorada. Na entrada da gruta, há uma estátua de Nª Sª de Lourdes.


Informações sobre o município no site www.guapore-rs.com.br

Imigrantes de origem Italiana

Colônias Italianas no RS



Após a bem sucedida experiência de colonização alemã no Rio Grande do Sul, fundada em 1824, o governo imperial brasileiro iniciou um processo semelhante com imigrantes de origem italiana. Assim, em 1875, começaram a chegar, na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, as primeiras famílias de imigrantes italianos, sendo que os vênetos constituiram-se no contingente mais numeroso, atingindo no final a percentagem de 54% do total dos italianos desembarcados no Estado.

Nessa época o Rio Grande do Sul ja contava com uma população de aproximadamente 400 mil habitantes e o governo provincial aproveitando a doação de terras, de acordo com a lei imperial de 1848, iniciou uma política imigratória, sendo a primeira província a fundar colônias com fundos próprios, podendo assim administrá-los por conta própria. Em 1875 iniciou a criação de quatro novos núcleos destinados ao assentamento de colonos imigrantes italianos.

Assim foram fundadas as Colônias de Dona Isabel e Conde D' Eu (logo mais conhecidas como Bento Gonçalves e Garibaldi respectivamente), a Colônia Fundos de Nova Palmira (depois rebatizada de Colônia Caxias) e a Colônia Silveira Martins, também conhecida como 4 Colônia, por ter sido o quarto núcleo de colonização italiana a ser criado no RS naquele período.

Breve estas quatro colônias pioneiras deram lugar a dezenas de municípios gaúchos. Temos então:
  Colônia Caxias deu origem a Caxias do Sul, Flores da Cunha, Farroupilha e São Marcos; 
   Colônia Dona Isabel formou Bento Gonçalves;
   Colônia Conde D' Eu originou Garibaldi e Carlos Barbosa;
 Colônia Silveira Martins deu origem as cidades de Silveira Martins, Vale Vêneto, Ivorá, Nova Palma, Faxinal do Soturno, São João do Polesine e Santa Maria.

A partir de 1884, uma vez totalmente ocupadas esses quatro núcleos pioneiros, foram sendo criadas outras colônias do outro lado do Rio das Antas e assim surgiram:

1. Colônia Antonio Prado, deu origem ao atual município de mesmo nome;
2. Colônia Alfredo Chaves, deu origem a Veranópolis, Nova Prata, Nova Bassanoe Cotiporã;
3. Colônia Guaporé, origem dos municípios de Guaporé, Encantado, Muçum,Serafina Correa e Casca;
4. Colônia Encantado, originou os municípios de Encantado e Nova Brescia.

Aos poucos, essas colônias foram se expandindo cada vez mais, sempre em direção do Rio Uruguai, divisa com Santa Catarina. Foram surgindo novas colonias como: Tapejara, Getúlio Vargas, Erechim, Severiano de Almeida, Sananduva, Paraí, Nova Araçá, Ciríaco, Davi Canabarro, Marau, Anta Gorda, Ilópolis, Putinga, Arvorezinha, Ipê.

Fonte:


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Arquivos da La Piave FAINORS Federação Vêneta
Veneti in Rio Grande do Sul